Saúde É Meu Lugar faz sua primeira Mostra regional

Publicado porluanafurtado on seg, 26/06/2017 - 13:09

 

Os últimos meses têm sido movimentados para a Mostra Saúde É Meu Lugar - é esse o nome popular do projeto Qualidade na assistência à saúde, com inclusão: em busca de um agir comunicativo para a melhoria da gestão, idealizado no âmbito da secretaria técnica executiva da REDESCOLA e realizado em parceria com a Secretaria de Assistência à Saúde (SAS/MS) e com a Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz).

 

Um ano atrás, o projeto começou a ganhar corpo durante uma longa oficina em Campo Grande e, desde então, se desenvolveu de forma muito rápida e se tornou um importante instrumento para dar visibilidade ao trabalho realizado na Atenção Básica,  além de melhorar sua qualidade.

 

Desde fevereiro, a Saúde É Meu Lugar reúne e compartilha experiências de profissionais do SUS que atuam diretamente nos territórios por meio de uma plataforma online. Em junho, teve início uma nova fase: a da construção de Mostras presenciais regionais.

 

A primeira edição foi a da região Sudeste e aconteceu  entre dos dias 22 e 23 de junho na Escola de Saúde Pública de Minas Gerais (ESP-MG), somando-se ao seminário regional da REDESCOLA e às atividades que marcaram o aniversário de 71 anos da ESP. Não foram eventos simplesmente paralelos, mas integrados, com uma programação única que dialogava tanto com as discussões da Rede como com as experiências apresentadas na Mostra.

 

Além da exposição física de alguns dos relatos presentes na plataforma, houve também a participação de quatro narradores do projeto, que atuaram como disparadores de discussão nas rodas de conversa propostas na programação.

 

 

José Fábio de Souza, um agente de combate a endemias (ACE) de Horizonte, no Ceará,  participou da roda sobre Sentidos e significados sobre o SUS. Além de ACE ele é palhaço, e encarna o PalhaSUS Horizontino em suas atividades profissionais cotidianas. Foi como palhaço que ele deu suas contribuições durante o evento, o que agradou muito a plateia.

 

Henio Marques, agente comunitário de saúde (ACS) da Bahia, deu um relato emocionante sobre sua atuação na roda que discutiu os Sentidos e significados sobre a Educação Permanente em Saúde. Luís Paulo Souza, que é enfermeiro e professor em Belo Horizonte, disparou o debate sobre Integração ensino-serviço. Finalmente, a cirurgiã-dentista Lídia Pereira, do Rio de Janeiro, contou suas histórias e impulsionou o tema da Formação em rede.

 

Também fez parte da programação uma mesa que discutiu Formação em Saúde Pública e constituição de redes. Ela contou com a participação de Ena Galvão (ETSUS Brasília), Andrey Mozzer (SES/ES), Maria Auxiliadora Córdova Christófaro (Professora adjunta aposentada da UFMG), Antônio Carlos Machado (Cefor/ SP) e Marise Ramos (EPSJV/ Fiocruz).

 

Um ponto importante desse debate foi o papel e o lugar das Escolas Técnicas do SUS. Por um lado, Ena Galvão fez uma crítica à união entre essas escolas e as de pós-graduação, o que vêm acontecendo em alguns estados, e afirmou que isso tem retirado o espaço das escolas técnicas. Para Ena, é importante trabalhar uma formação em que os dois âmbitos dialoguem, mas eles têm especificidades – inclusive legislações e exigências do MEC – diferentes, que exigem instituições também diferentes. Por outro lado, Andrey Mozzer defendeu a criação de uma Escola de Saúde Pública (com formação técnica e pós-graduação) em seu estado.

 

Outra questão interessante foi trazida por Marise Ramos: ela mostrou que as pesquisas realizadas com ACS indicam que, apesar dos vastos saberes desses profissionais, isso muitas vezes não é reconhecido por eles como conhecimento. Essa questão acaba sinalizando que as Escolas devem buscar maneiras de aproximar o conhecimento vindo dos serviços e a educação formal.

 

Tatiana Wargas – que é pesquisadora na ENSP e faz parte do grupo de condução da RedEscola – disse que essa programação mais ‘formal’ do evento foi muito potencializada pelas histórias da Mostra e pela plateia. “À medida que o debate ia se desenrolando, a plateia colocava na roda questões que incomodam hoje. Ficou claro como o serviço precisa cada vez mais entrar nas conversas, fazer parte das discussões. As Escolas não podem ser um lugar só para receber estudantes para a formação, sem  combinar com o serviço qual é a formação necessária e de que projeto se está falando”, disse ela.

 

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